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Centímetros a mais

Tratamentos para crescer envolvem medicamentos, melhoria da dieta, exercícios físicos e suplementação vitamínica e mineral, mas antes é importante a consulta a um especialista

Fonte: Jornal Estado de Minas - Domingo, 12 de junho de 2011 - Vanessa Jacinto


Luiz Paulo ParoliniA esperança de ver a cria ganhar alguns centímetros a mais tem levado muitos pais a buscarem os consultórios de especialistas em crescimento. Não foi diferente com a administradora Meire Lúcia Ribeiro Parolini, que acompanha o filho Luiz Paulo Parolini, de 13 anos, numa batalha bem-sucedida com a fita métrica.

Quando iniciou o tratamento para crescer, Luiz Paulo estava sete centímetros abaixo da estatura média indicada para sua idade. Era o menor aluno da sala e tinha atraso na idade óssea. "Eu e meu marido não somos muito altos, mas, como o Luiz sempre quis ser jogador de futebol, achamos melhor investigar o caso e investir num tratamento para ele crescer", conta Meire.

Depois de seis anos de acompanhamento, o menino alcançou o percentil de estatura média para a população de sua idade. Com melhoria da dieta, prática de atividade física e suplementação de vitaminas e minerais (principalmente zinco, vitamina D e ferro, que estavam deficientes), ele conseguiu, inclusive, adiar a reposição hormonal. "Já estava previsto o uso do hormônio do crescimento, mas o desempenho dele foi tão bom que o médico decidiu deixar parareavaliar, futuramente, a situação. Ele agora está entrando no chamado estirão puberal e deve ganhar um novo impulso de crescimento", diz.

Quem também está empolgada com os resultados do tratamento é Delmaria Veloso Santos Braga, mãe de Lívia Veloso Braga, de7. Com diagnóstico de deficiência na produção do growth hormone ou GH (hormônio do crescimento) e hipotireoidismo, aos 4 anos e meio a menina tinha idade óssea de 2 anos. "Não era só um problema de estatura. Ela tinha dificuldade em acompanhar as crianças da mesma idade nas brincadeiras que exigiam mais equilíbrio, flexibilidade e coordenação. Até para subir e descer escadas ela enfrentava problemas", lembra.

Geraldo SantanaGraças à reposição dos hormônios tireoidiano e do crescimento, Lívia está quase na média de estatura para sua faixa etária e a idade óssea também evoluiu. Segundo a mãe, o acompanhamento é rigoroso e, de seis em seis meses, é realizada uma bateria de exames para avaliar seu desempenho. "Nós nos preocupamos como fato de a baixa estatura causar problemas de autoestima. Agora, sabemos que ela está se desenvolvendo bem, dentro do seu potencial genético", diz.

O crescimento adequado, de fato, é um marcador importante na qualidade da saúde de uma criança. Segundo o endocrinologista Geraldo Santana, diretor do Instituto Mineiro de Endocrinologia, a baixa estatura envolve processos orgânicos e até psicossociais. "O problema pode estar ligado a várias causas, como questões nutricionais, deficiências hormonais, doenças crônicas (respiratórias, cardíacas, renais, gastrointestinais, alergias), hereditariedade e doenças genéticas, entre outros fatores", explica o médico.

As causas mais comuns, contudo, são a baixa estatura familiar, quando está ligada à estatura dos pais, e a baixa estatura constitucional, quando depende da própria constituição física e genética do indivíduo. Entre as causas hormonais estão principalmente as deficiências do hormônio de GH e problemas na tireoide (hipotireoidismo). "Algumas deficiências de hormônio do crescimento podem ser causadas por lesões neurológicas, como tumor de hipófise ou hipotálamo. Por isso, merecem uma investigação mais detalhada antes de se iniciar o tratamento", recomenda.

Sinais merecem atenção dos pais

Para saber se o filho apresenta problemas de crescimento, o ideal é compará-lo com outras crianças da mesma idade. Roupas e calçados durando mais, sem ficar apertados ou pequenos, são outro indicativo de que a velocidade de crescimento está baixa. Geraldo Santana esclarece que, constatado o déficit de crescimento, os tratamentos deveriam começar antes da fase do estirão puberal, período em que ocorre uma intensificação do crescimento devido aos hormônios da puberdade. O estirão puberal, geralmente, se inicia por volta dos 13 anos nos meninos e dos 11 nas meninas, conforme explica o médico.

Quanto mais precocemente forem iniciadas as terapias, maiores serão as possibilidades de alcançarem-se os resultados desejados. "Embora alguns sinais da baixa estatura sejam percebidos na infância, é comum os pais e o paciente só procurarem orientação especializada na puberdade, quando o adolescente começa a perder sua autoestima em função da demanda social da estatura. Nessa época, entretanto, as possibilidades ficam muito reduzidas, pois as epífises ósseas já se encontram com processo de fechamento muito adiantado devido à ação dos hormônios da puberdade (exceto aqueles casos em que existe um atraso significativo da idade óssea)", explica o médico.

O tratamento com uso do hormônio do crescimento é indicado para os casos em que existe a deficiência desse hormônio. Em algumas situações de baixa estatura constitucional também pode ser usada a mesma terapia. Durante o processo, são feitas aplicações diárias na pele com canetas aplicadoras. A dose indicada depende do peso do paciente. Para uma criança de 8 anos (25 quilos), por exemplo, o custo mensal fica em torno de R$1,4 mil/mês.

Apesar de ser relativamente caro, o governo dispõe de programas que fornecem o medicamento para os casos de deficiência clássica de hormônio de crescimento. O uso, segundo Geraldo Santana, não traz efeitos colaterais, já que ele é idêntico ao hormônio produzido em nosso organismo.



Potencial de crescimento


CÁLCULO DA ESTATURA ALVO

Estatura alvo é a faixa de estatura final esperada para um indivíduo baseada apenas na altura dos pais. Ela permite ainda pressupor um canal de crescimento familiar ajustado para cada criança, em vez de apenas compará-la com a população geral. É calculada da seguinte forma:


MENINOS
[(altura do pai + altura da mãe) + 13] ÷2 (variação de ± 7,5 cm)


MENINAS
[(altura do pai + altura da mãe) - 13] ÷2 (variação de ±6 cm)


Este resultado reflete a variação de altura final média esperada considerando a altura dos pais, também chamado de canal familiar de crescimento. É importante lembrar que outros fatores como alimentação, altura ao nascimento, deficiências hormonais, idade do início da puberdade e a ação de tratamentos para crescimento também interferem na estatura final do indivíduo.
No endereço a estatura alvo pode ser calculada automaticamente.
http://www.endocrinologia.com.br/html/calcular_potencial.php


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