::Endocrinologia



Balão Gástrico no tratamento da obesidade

Dr. Geraldo Santana – Endocrinologista

Diretor do Instituto Mineiro de Endocrinologia


O que é o balão gástrico?

O balão gástrico (BIG) é um recurso clínico de tratamento da obesidade que consiste na colocação de um balão de silicone no estômago por endoscopia que preenche aproximadamente 50% da cavidade gástrica promovendo diminuição do apetite e aumento da saciedade. Quando bem indicado, proporciona uma valiosa oportunidade de reeducação dos hábitos alimentares e melhora da relação do indivíduo com a comida e seus impulsos de fome. É um método de tratamento usado há vários anos que se aprimorou com a melhora da qualidade e segurança dos balões mais modernos.


Como é a colocação e a retirada do balão gástrico?

O processo de colocação é feito com o paciente sob sedação leve(sem necessidade de anestesia) com introdução e preenchimento guiados pela endoscopia e dura em torno de 20 minutos. Embora não seja um procedimento cirúrgico e nem precise de internação, é normalmente realizado em sala totalmente preparada para este tipo de procedimento. Após a colocação é feito o enchimento do balão com 500 a 800 ml de uma solução salina com contraste e corante. O paciente fica com o balão durante 4 a 6 meses quando é então retirado também por endoscopia e sedação.


Quais as vantagens do BIG como método de tratamento da obesidade?

As principais vantagens são (1)reversibilidade: o BIG pode ser retirado a qualquer momento no caso de alguma intolerância; (2) segurança: baixo risco de complicações e (3) repetibilidade: o BIG pode ser colocado sucessivas vezes, se necessário. Outra vantagem é que por promover emagrecimento sem necessidade do uso de medicamentos moderadores de apetite com ação no sistema nervoso central é uma boa alternativa para pacientes que apresentam intolerância, contraindicações ou ausência de resposta com estes medicamentos. Entretanto, é importante ressaltar que o BIG é um método temporário (6 meses), que necessita de forte comprometimento por parte do paciente e ainda possui um custo mais elevado que o tratamento medicamentoso.


Qual a perda de peso esperada com o balão gástrico?

Embora a perda média fique entre 15 a 20% do peso inicial, esta perda é extremamente variável e depende de vários fatores como peso inicial, adaptação, volume de preenchimento, disposição emocional para mudanças, adesão ao controle clínico e nutricional, grau de atividade física, metabolismo basal, etc. A perda mínima esperada para se considerar que o tratamento foi bem sucedido é de 10% do peso inicial mas há vários pacientes que perdem mais de 30kg. A motivação e a disciplina para implantar as mudanças são os grandes determinantes deste resultado.


Como o balão gástrico pode ajudar a emagrecer?

Sabemos que o estômago, quando vazio, secreta a grelina, um potente estimulante do apetite no cérebro e até o momento não existe uma medicação que inibe a secreção deste hormônio. Assim, a distensão do estômago pelo balão causa diminuição da secreção da grelina (reduzindo o apetite) e aumenta a saciedade pela sua ação mecânica sobre o sistema nervoso autônomo.


Para quem está indicado o balão?

O balão gástrico está normalmente indicado para pacientes com obesidade que já tentaram os outros tratamentos clínicos - dieta, atividade física e medicamentos – mas tiveram resposta insatisfatória. É também indicado para aqueles que não toleram medicamentos devido aos efeitos ou não podem usá-los devido a alguma doença ou condição clínica. A Anvisa, órgão regulador do Brasil, aprovou seu uso para pacientes acima do IMC 27 (sobrepeso) e vários estudos já avaliaram o BIG em pacientes pré-obesos com boa resposta e segurança.


Balão intragástricoQuais são as contraindicações para colocação do balão gástrico?

Antes de se proceder a colocação é importante avaliar se o paciente não possui contraindicações ao BIG como úlcera péptica, hérnia hiatal significativa, passado de cirurgia gástrica, problemas de coagulação, esofagite grave, uso crônico de antiinflamatórios e alcoolismo. Daí a importância de se realizar exames laboratoriais e uma endoscopia prévia. Pode estar ainda indicada uma avaliação psicológica para se avaliar o grau de comprometimento, compreensão e expectativas por parte do paciente.


Quais os cuidados após a colocação do BIG?

A primeira semana é a que requer mais cuidados devido à adaptação do organismo com a presença do balão. Embora o volume do balão não seja muito diferente do volume de uma refeição usual (considerando a comida e bebida) temos que lembrar que, no caso da refeição, os movimentos do estômago irão promover o seu total esvaziamento o que não ocorre na presença do balão. Por isso, normalmente são prescritos medicamentos para inibir a acidez do estômago bem como as cólicas, náuseas e vômitos que representam uma resposta fisiológica inicial do organismo ao balão. Mesmo com uso da medicação preventiva, 80% dos pacientes apresentam algum episódio de vômito nesta fase de adaptação. Além disso, deve se ter um cuidado especial com a dieta, prescrita e acompanhada por uma nutricionista especializada, inicialmente líquida evoluindo para pastosa e normalizando a consistência com o passar dos dias com grande atenção para a mastigação. Bebidas alcoólicas devem ser totalmente evitadas. O acompanhamento clínico e nutricional – e psicológico quando necessário - é fundamental para que o paciente aproveite ao máximo o benefício proporcionado por este método de tratamento e alcance os resultados desejados.


Quais as possíveis complicações com o balão gástrico?

O BIG é considerado hoje um método de baixo risco comparado a outras formas de tratamento da obesidade como medicamentos e cirurgia bariátrica. Embora sejam muito raras com os balões mais modernos, as principais complicações já relatadas foram esvaziamento do balão e migração para o intestino (geralmente é eliminado na evacuação mas raramente pode ocorrer obstrução), aparecimento de úlcera gástrica, colonização por fungos. Eventualmente pode ocorrer, nos primeiros dias, desidratação por vômitos na fase de adaptação que responde bem a reposição com soro. Estas complicações são raras sobretudo quando há uma indicação criteriosa, uma avaliação médica criteriosa prévia à colocação, escolha de um endoscopista experiente, um acompanhamento clínico-nutricional constante e principalmente se respeita o tempo de duração de no máximo seis meses. As complicações mais observadas nos estudos foram em pacientes que não voltaram para retirada do balão no prazo recomendado, o que denota a importância de uma boa aliança médico-paciente no momento de se indicar este tipo de tratamento. Devido à presença do corante no balão, em caso de esvaziamento do balão, o paciente perceberá uma cor azul na urina ou nas fezes que o alertará para a procura de orientação médica e programação da melhor conduta.


Após a retirada do balão poderá haver recuperação do peso perdido?

De fato, a colocação de um balão gástrico pode ter um efeito apenas transitório se não houver um envolvimento do paciente com as mudanças na alimentação, estilo de vida e principalmente da autoestima que poderão ser alcançadas neste tratamento. Por isso, há um grande enfoque no preparo e acompanhamento profissional para que o paciente não se apoie na ilusão de que apenas preencher o estômago com um balão de silicone irá resolver, de forma mágica, seus problemas. Deve-se lembrar que a recuperação de peso pode ocorrer com qualquer modalidade de tratamento da obesidade (até mesmo nas cirurgias bariátricas) se não houver uma participação ativa do paciente neste processo. Na prática clínica vemos que seis meses costuma ser um tempo suficiente para que, com dedicação do paciente e um acompanhamento clínico especializado, a pessoa tenha condições de emagrecer, reeducar seus hábitos e ganhar mais saúde. E que após a retirada, o paciente esteja pronto para se beneficiar dos diversos recursos disponíveis para prevenção da recuperação de peso.



Veja abaixo, um video demonstrando de forma simplificada os procedimentos de colocação e retirada do balão gástrico:


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::Equipe

Dr Geraldo Santana - Endocrinologista
Dr Bruno Sander - Endoscopista
Renata Rodrigues - Nutricionista
Halina Resende - Psicóloga

 


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