O que é a sibutramina?
Dr. Geraldo
Santana
Médico endocrinologista
A sibutramina é um
medicamento utilizado para o tratamento da obesidade e excesso
de peso naqueles casos em que apenas a dieta, exercícios
e a mudança do estilo de vida não foram suficientes
para promover o emagrecimento. A prescrição do medicamento
deve estar sempre associada a um programa de reeducação
alimentar e estímulo à atividade física.
A sibutramina age inibindo a recaptação
da serotonina o que aumenta a disponibilidade deste neurotransmissor
em nível
cerebral. Como não há um estímulo à produção
da serotonina (apenas inibe a sua recaptação), trata-se
de um mecanismo de ação bem mais seguro por não
haver risco de produção excessiva.
Diferentemente dos outros medicamentos utilizados
para emagrecer, a ação principal da sibutramina não está em
reduzir a fome mas sim em aumentar a sensação de saciedade
do indivíduo criando condições para uma mudança
duradoura dos hábitos alimentares. Além disso, em pessoas
compulsivas, contribui para diminuir os episódios
de compulsão sobretudo por doces, chocolates e carboidratos.
A sibutramina não causa dependência e não possui
potencial de abuso. É considerada uma alternativa segura para
o tratamento de excesso de peso não apenas pelo grande número
de estudos científicos mas também pela observação
diária na prática clínica.
Quando bem indicada e com supervisão médica,
a sibutramina geralmente é segura e bem tolerada. Os efeitos
colaterais mais observados são boca seca, intestino preso,
dor de cabeça,
sudorese e alterações do sono. Apesar de serem geralmente
transitórios, na presença
de efeitos colaterais persistentes ou com uma intensidade que incomode
as atividades diárias, deve-se entrar em contato com o médico
para se avaliar a necessidade de ajuste da dosagem ou até mesmo
a suspensão da medicação.
Como os medicamentos agem através de receptores, os resultados
podem variar entre indivíduos e, assim, tanto a sua indicação
quanto os ajustes das dosagens devem ser feitos por médicos
com experiência no manejo desta substância. Os melhores
resultados são obtidos quando o paciente participa ativamente
do processo de tratamento usando a medicação com regularidade,
respeitando as doses e horários prescritos, não interrompendo
seu uso precipitadamente e comunicando sempre suas dúvidas
ao médico.
Atualizações
Março/2010: Após resultados preliminares do estudo Scout sugerindo evitar a sibutramina em pacientes com doença cardiovascular e após constatar um consumo exagerado de sibutramina no país, a Anvisa determina maior rigor no receituário passando a exigir que sua venda seja feita apenas mediante a apresentação de receita azul B2 e cada receita dá direito a apenas 30 dias de medicamento.
Julho/2010: A Anvisa amplia o limite de tratamento da sibutramina por receita de 30 para 60 dias mas limita a dose diária a 15mg/dia.
Setembro/2010: Embora não haja nenhuma eveidência científica sobre potencial de dependência com o uso da sibutramina, por determinação da Anvisa, as embalagens passam a ter a tarja preta, semelhante aos moderadores de apetite.
Veja também:
Anvisa mantém comercialização da Sibutramina mas alerta médicos para novas contraindicações
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