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Sibutramina com maior rigor no receituário
Preocupada com a prescrição indiscriminada da
medicação no país, muitas vezes sem acompanhamento médico, a
Anvisa - Agência Nacional de Vigilância sanitária - decidiu, em
março/2010, que a sibutramina só poderá ser vendida com
receituário azul B2, destinado à prescrição de
moderadores de apetite cuja emissão tem maior controle e
fiscalização. Até então era vendida com receita comum, bastando
a retenção da mesma pela farmácia. Além disso, determinou que as
caixas dos medicamentos passem a ser fabricadas com uma tarja
preta semelhante aos dos outros moderadores de apetite. Com a
nova resolução, cada receita poderá ter quantidade para no
máximo 30 dias.
A sibutramina é um medicamento utilizado para
o tratamento da obesidade e excesso de peso naqueles casos em
que apenas a dieta, exercícios e a mudança do estilo de vida não
foram suficientes para promover o emagrecimento. A prescrição do
medicamento deve estar sempre associada a um programa de
reeducação alimentar e estímulo à atividade física.
A atenção dos órgãos governamentais sobre a
sibutramina aumentaram a partir de janeiro de 2010, quando foram
divulgados os dados iniciais do estudo SCOUT cujos resultados
confirmaram que a medicação não deve ser prescrita para
pacientes com doenças cardiovasculares. Esta contraindicação já
constava na bula do medicamento mesmo antes deste estudo, mas os
resultados alertaram para a necessidade do acompanhamento
médico.
Comentário do especialista
Dr. Geraldo Santana –
Médico endocrinologista
Diretor do Instituto
Mineiro de Endocrinologia
A idéia de se aumentar o rigor no controle da venda da
sibutramina é uma decisão acertada da Anvisa considerando o
comportamento abusivo das prescrições detectado em uma pesquisa
feita pelo órgão. Só para se ter uma idéia, a sibutramina é
facilmente encontrada à venda sem receita na internet e entre os
dez maiores prescritores de sibutramina do país está um médico
especialista em medicina do tráfego (especialidade relacionada
aos exames médicos para habilitação de motoristas). Embora seja
uma medicação com bom perfil de segurança, a sibutramina atua no
sistema nervoso central e seu uso deve ter acompanhamento médico
para avaliação de resultados e possíveis efeitos colaterais,
ajustes de dose e controle periódico da pressão arterial e
freqüência cardíaca.
Entretanto, ao solicitar aos fabricantes que
seja colocada a tarja preta nas caixas, causa a impressão de que
o medicamento pode causar dependência, o que não se aplica à
sibutramina, uma vez que após vários estudos clínicos e mais de
doze anos de comercialização não há evidências que ela tenha
potencial de abuso ou dependência.
Outro detalhe se refere à receita azul B2.
Por ser limitada a apenas 30 dias de prescrição, pressupõe que o
paciente venha obrigatoriamente todos os meses ao consultório o
que nem sempre é necessário dependendo da fase do tratamento em
que o paciente se encontra.
Infelizmente, a Anvisa tomou as decisões sem
consultar as associações científicas da especialidade
relacionadas ao assunto (SBEM, ABESO e SBD) o que certamente
levaria a um consenso com possibidade de melhores resultados
práticos. Uma alternativa razoável, a meu ver, seria que a
medicação fosse prescrita na receita B2 mas mantivesse a tarja
vermelha e com o prazo de até 60 dias por prescrição.
Atualizações
julho/2010: A Anvisa amplia o limite de tratamento da sibutramina por receita de 30 para 60 dias mas limita a dose diária a 15mg/dia
Setembro/2010: Embora não haja nenhuma eveidência científica sobre potencial de dependência com o uso da sibutramina, por determinação da Anvisa, as embalagens passam a ter a tarja preta, semelhante aos moderadores de apetite
Veja também:
O que é a sibutramina?
The SCOUT study: risk-benefit profile of sibutramine in
overweight high-risk cardiovascular patients
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