O
que é Síndrome Metabólica? Dr.
Geraldo Santana
Médico endocrinologista
Coord. médico do Instituto Mineiro de Endocrinologia
Há muitos anos já se observava que algumas
doenças
como obesidade, diabetes, hipertensão e alterações
de colesterol e triglicérides costumavam vir associadas em
muitos pacientes. Mais recentemente, identificou-se que, na maioria
dos casos, há um ponto em comum: um excesso de gordura abdominal
causando uma resistência à ação de um
hormônio chamado insulina. A insulina é um hormônio
produzido pelo pâncreas e é responsável pelo
controle da glicose no sangue.
Com
a intenção de vencer
esta resistência e
manter o controle da glicose, o pâncreas passa a produzir quantidades
maiores de insulina. Este excesso de insulina, entretanto, contribui
para o aparecimento da hipertensão e das alterações
de colesterol e triglicérides. Além disso, chega um
momento em que o pâncreas, sobrecarregado com a produção
extra de insulina, fica insuficiente. Começa a ocorrer, então,
uma elevação progressiva da glicemia que, se não
tratada, geralmente evolui para um quadro de diabetes.
Este
conjunto de alterações clínicas cuja origem
está na resistência à insulina recebe o nome
de Síndrome Metabólica. Ela é de grande importância
devido ao seu aumentado risco para a saúde, significativa
mortalidade e pela sua incidência cada vez maior sobretudo
nas grandes cidade. Para se ter uma idéia, pessoas com Síndrome
Metabólica têm um risco 3,5 vezes maior de morte por
doenças cardiovasculares como infarto e AVC. Não bastassem
as doenças envolvidas na síndrome – obesidade,
diabetes, hipertensão e dislipidemia – outras complicações
também estão relacionadas como síndrome de ovários
policísticos, aumento de ácido úrico e esteatose
hepática.
Além de uma predisposição genética,
a obesidade abdominal e o sedentarismo são as principais causas
desta síndrome. Sabe-se que uma circunferência abdominal,
medida com fita métrica na altura do umbigo, acima de 102
cm para homens e 88 cm para mulheres tem sido apontada como o principal
fator para desenvolvimento da Síndrome Metabólica.
Grandes
esforços vem sendo investidos no sentido de se identificar
e tratar a Síndrome Metabólica o mais precoce possível
a fim de se atuar de forma preventiva em relação às
complicações. Atualmente, já é possível
identificar as pessoas que apresentam a resistência à insulina
antes mesmo do aparecimento de doenças como o diabetes e a
hipertensão. Entre as principais estratégias de tratamento
estão o controle do excesso de peso e o combate ao sedentarismo.
Alguns medicamentos também vêm se mostrando muito úteis
mas os estudos científicos já demonstraram que seus
melhores resultados ocorrem quando estão associados às
mudanças do estilo de vida tais como reeducação
alimentar e prática regular de atividade física.
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