| Dr.
Geraldo Santana - Médico endocrinologista
Caroline Fernandes - Nutricionista clínica
e esportiva
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Quem é considerado magro?
A magreza é caracterizada por um peso inadequado em relação à altura. O IMC (Índice de Massa Corporal) tem sido muito utilizado pela sua praticidade e seu cálculo pode ser obtido por uma fórmula
em que se divide o peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado,
ou seja:
IMC = Peso ÷ (altura
x altura)
IMC menor que 18,5 = Magreza
IMC menor que 17,0 = Magreza excessiva.
Por exemplo, se uma pessoa mede 1,70 metros e pesa 50 kg, temos:
IMC = 50 ÷ (1,70 X 1,70) = 50 ÷ 2,89
= 17,3 (Magreza).
Quais são os riscos associados à magreza?
Já está bem demonstrado que pessoas muito magras geralmente encontram-se desnutridas, têm uma resistência imunológica diminuída e possuem um risco aumentado para afecções respiratórias, ósseas e infecciosas. Além disso, a magreza pode ainda estar relacionada a problemas de auto-estima, insatisfação com a imagem corporal e até depressão. Em mulheres, a magreza causa um desequilíbrio do sistema hormonal feminino levando a alterações
menstruais e infertilidade.
Quais são as causas da magreza?
Apesar da genética também contribuir para a magreza, muitas causas estão relacionadas a doenças orgânicas, transtornos do comportamento alimentar e a maus hábitos alimentares. Diabetes, hipertireoidismo, parasitoses intestinais, doenças inflamatórias do tubo digestivo, neoplasias, doenças infecciosas, depressão e anorexia nervosa são
exemplos de causas de magreza.
O que é a anorexia nervosa?
É um transtorno do comportamento alimentar caracterizado por uma distorção da própria avaliação da imagem corporal, com recusa a ingerir uma alimentação normal e ao medo intenso de ganhar peso. A pessoa está abaixo do peso, mas sente que ainda está obesa e precisa emagrecer. É bem mais freqüente em mulheres. Além da ingestão alimentar pequena, as pessoas com anorexia nervosa têm purgações como vômitos provocados, excesso de exercícios físicos ou uso exagerado de diuréticos e laxantes. É comum a desnutrição e alguns casos mais graves podem evoluir para o óbito.
São necessários muitos exames para avaliação
da magreza?
Depende de cada caso, mas na maioria das vezes, exames de sangue
e de fezes costumam ser suficientes. Os exames são solicitados de acordo com a intensidade da magreza e as informações colhidas durante a consulta e o exame físico. Outro aspecto importante é avaliar se a deficiência de peso está predominantemente relacionada à gordura ou à massa muscular. Esta avaliação da composição corporal é feita através do exame de bioimpedância.
Bioimpedância? O que é isto?
Bioimpedância (ou bioimpedanciometria) é um exame que mede o percentual de água, gordura e massa magra. É muito utilizada quando precisamos avaliar a composição
corporal da pessoa e para acompanhar a qualidade do ganho de
peso, como acontece nos casos de magreza. |
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| O exame é feito com a colocação de um par de eletrodos na mão e no pé do paciente por onde passa uma corrente elétrica, cuja resistência é medida pelo equipamento. Quanto maior é o percentual de gordura, maior é a dificuldade para a corrente elétrica atravessar o corpo. O exame é totalmente
indolor e deve ser evitado em pacientes gestantes e portadores
de marcapasso. |
Uma pessoa pode ser magra e ter um percentual de gordura acima do normal?
Sim. Isto ocorre nos casos de desnutrição associada à carência de proteínas e déficit de massa muscular. Com o aumento da massa muscular, naturalmente haverá uma normalização
do percentual de gordura.
E como é o tratamento?
A abordagem terapêutica da pessoa magra, geralmente envolve o tratamento das doenças existentes, orientações quanto à alimentação e, principalmente, mudanças comportamentais. Dependendo do tipo de deficiência predominante (gordura ou massa muscular), o uso de suplementos alimentares ou protéicos, estimulantes do apetite e um programa específico de atividade física também podem estar indicados. Durante o acompanhamento, a variação do peso corporal, as medidas sistemáticas das dobras cutâneas com o adipômetro e o controle trimestral pela bioimpedância
permitem avaliar a qualidade do ganho de peso e os ajustes do tratamento.
O que é um adipômetro? É uma aparelho usado para medir dobras cutâneas (de pele) com alto nível de precisão. Sua escala é dividida em décimos de milímetro. Em um tratamento de magreza, o adipômetro permite avaliar em que locais do corpo está havendo maior aumento de gordura subcutânea, informação importante para prevenir que a distribuição
da gordura fique desproporcional. |
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O que é mais difícil: engordar
ou emagrecer?
Na verdade, a obesidade e a magreza são duas faces da mesma moeda. Na maioria dos casos, refletem uma dificuldade da relação entre a pessoa, as emoções e os alimentos. Nas duas situações, a força de vontade e a disciplina são ingredientes fundamentais para o sucesso do tratamento. O tratamento, em ambas as situações, exige muita dedicação, mas alcançar e manter o peso desejado melhora muito a auto-estima e sempre compensa o esforço.
E quanto ao uso dos hormônios
anabolizantes?
Embora já existam evidências científicas do benefício destes hormônios em algumas doenças específicas, não utilizamos e nem recomendamos o uso de anabolizantes esteróides para o tratamento da magreza até porque bons resultados têm sido alcançados sem o uso deles. É importante salientar que o uso abusivo destas substâncias pode causar sérios efeitos colaterais, já tendo sido publicados diversos casos de complicações graves e até letais.
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