Um
problema comum em endocrinologia pediátrica é o potencial
limitado de crescimento em crianças e adolescentes com baixa
estatura e idade óssea avançada. Na abordagem da baixa estatura,
a idade óssea - avaliada pelo raio x
de punho e mão - é fundamental para se identificar o grau de
maturação óssea nos dando uma expectativa do crescimento ainda
existente.
Sabemos
que o avanço da idade óssea depende do estrogênio, que embora
seja um hormônio tipicamente feminino está presente em meninos e
meninas e é produzido pela transformação de andrógenos
(hormônios masculinos) em estrogênio por uma enzima chamada
aromatase. A partir destes
pressupostos, a perspectiva do uso de medicamentos inibidores da
aromatase com o objetivo de diminuir
a ação do estrogênio no osso, atrasar a maturação óssea e
prolongar o tempo de crescimento se mostrou bastante promissora.
Inibidores de aromatase já são
usados há mais de vinte anos como coadjuvante no tratamento do
câncer de mama em mulheres na pós menopausa.
Porém, o desenvolvimento dos inibidores de terceira geração,
mais potentes e com maior perfil de segurança, impulsionaram as
pesquisas no campo da baixa estatura.
Nos
últimos anos, vários estudos foram desenvolvidos com o objetivo
de se avaliar o efeito dos inibidores de
aromatase em meninos com baixa estatura. Os resultados
foram claros em mostrar sua eficácia em retardar a idade óssea e
aumentar a previsão de estatura final com segurança e boa
tolerabilidade por parte dos pacientes, sem alterações
significativas de metabolismo lipídico
ou composição corporal. Em outros estudos, os inibidores de
aromatase também se mostraram
eficazes como coadjuvantes em pacientes com deficiência de
hormônio de crescimento e no atraso constitucional
puberal.
Mesmo
com o grande número de estudos e a segurança dos bons resultados
obtidos até o momento com os inibidores de
aromatase em meninos com baixa estatura, ainda se trata
de uma nova modalidade terapêutica e vários estudos clínicos
ainda estão em andamento para avaliação dos resultados também a
médio e longo prazo. Por isto, este tipo de tratamento tem
indicação bem precisa e deve ser feito sob supervisão de
especialista para monitoramento clínico e laboratorial
periódico.
Desta
forma, quando bem indicado e com as devidas precauções, os
inibidores de aromatase se
incorporam aos atuais recursos da abordagem terapêutica da baixa
estatura representando uma importante alternativa de tratamento
quando se deseja alcançar um aumento da estatura final.