::Baixa estatura  
 

Inibidores de aromatase no tratamento da baixa estatura
Dr. Geraldo Santana – Endocrinologista
Diretor Clínico do Instituto Mineiro de Endocrinologia

Um problema comum em endocrinologia pediátrica é o potencial limitado de crescimento em crianças e adolescentes com baixa estatura e idade óssea avançada. Na abordagem da baixa estatura, a idade óssea - avaliada pelo raio x de punho e mão - é fundamental para se identificar o grau de maturação óssea nos dando uma expectativa do crescimento ainda existente. 

Sabemos que o avanço da idade óssea depende do estrogênio, que embora seja um hormônio tipicamente feminino está presente em meninos e meninas e é produzido pela transformação de andrógenos (hormônios masculinos) em estrogênio por uma enzima chamada aromatase. A partir destes pressupostos, a perspectiva do uso de medicamentos inibidores da aromatase com o objetivo de diminuir a ação do estrogênio no osso, atrasar a maturação óssea e prolongar o tempo de crescimento se mostrou bastante promissora.  

Inibidores de aromatase já são usados há mais de vinte anos como coadjuvante no tratamento do câncer de mama em mulheres na pós menopausa. Porém, o desenvolvimento dos inibidores de terceira geração, mais potentes e com maior perfil de segurança, impulsionaram as pesquisas no campo da baixa estatura.   

Nos últimos anos, vários estudos foram desenvolvidos com o objetivo de se avaliar o efeito dos inibidores de aromatase em meninos com baixa estatura. Os resultados foram claros em mostrar sua eficácia em retardar a idade óssea e aumentar a previsão de estatura final com segurança e boa tolerabilidade por parte dos pacientes, sem alterações significativas de metabolismo lipídico ou composição corporal. Em outros estudos, os inibidores de aromatase também se mostraram eficazes como coadjuvantes em pacientes com deficiência de hormônio de crescimento e no atraso constitucional puberal.  

Mesmo com o grande número de estudos e a segurança dos bons resultados obtidos até o momento com os inibidores de aromatase em meninos com baixa estatura, ainda se trata de uma nova modalidade terapêutica e vários estudos clínicos ainda estão em andamento para avaliação dos resultados também a médio e longo prazo. Por isto, este tipo de tratamento tem indicação bem precisa e deve ser feito sob supervisão de especialista para monitoramento clínico e laboratorial periódico. 

Desta forma, quando bem indicado e com as devidas precauções, os inibidores de aromatase se incorporam aos atuais recursos da abordagem terapêutica da baixa estatura representando uma importante alternativa de tratamento quando se deseja alcançar um aumento da estatura final.

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