Deficiência de Hormônio de Crescimento em adultos
Dr. Geraldo Santana - Médico endocrinologista |
O que é o hormônio
de crescimento?
O hormônio de crescimento, também chamado de GH (do inglês, Growth Hormone) é produzido pela hipófise, uma pequena glândula do tamanho de uma ervilha localizada abaixo do cérebro, logo atrás dos olhos. O GH normalmente é produzido durante toda a vida, porém seus níveis são mais elevados na infância e adolescência e começam a diminuir após os 20 anos de idade. Aos 70 anos, a produção de GH já está bem diminuída correspondendo a menos que 50% dos níveis
de 30 anos de idade.
Como age o hormônio
de crescimento (GH)?
O GH é secretado principalmente à noite durante as fases de sono profundo. Para que ele exerça suas ações, ele estimula a produção de outro hormônio no fígado chamado de IGF-1. Em crianças e adolescentes, como as cartilagens dos ossos ainda não estão
calcificadas, o GH promove o crescimento estatural e participa
do aumento da massa muscular. |
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Se o GH é responsável pelo crescimento, qual é a sua função
na fase adulta?
De fato, durante muito tempo, acreditou-se que sua principal função estava relacionada apenas ao crescimento estatural sobretudo porque crianças com deficiência deste hormônio apresentavam grande retardo de crescimento que era corrigido após a reposição. Entretanto, começou-se a observar que alguns adultos que tiveram deficiência de GH na infância apresentavam envelhecimento precoce, fraqueza muscular e tendência a obesidade abdominal. Até que um estudo feito em 1962 demonstrou que a injeção de GH retirado de hipófises de cadáveres (ainda não existia o GH sintetizado pela indústria) melhorava significativamente o vigor físico e a sensação de bem-estar. A partir daí, várias pesquisas começaram a ser desenvolvidas para se avaliar como identificar os pacientes com deficiência deste hormônio e os possíveis benefícios da sua reposição.
Desde quando o GH passou a estar disponível
para tratamento?
Durante muitos anos, os tratamentos de deficiência de GH eram feitos com GH extraído de hipófises de cadáveres. Como a disponibilidade era pequena, o tratamento ficava restrito a poucos casos de deficiência grave na infância. Somente em 1980, a indústria conseguiu produzir o hormônio de crescimento recombinante idêntico ao humano através da técnica de engenharia genética. Para este hormônio, sintetizado em laboratório, é usada a sigla HGH (do inglês,
Human Growth Hormone).
Adultos podem ter deficiência do hormônio
de crescimento?
Sim, e ela é mais freqüente do que se imaginava. Ela pode iniciar de forma abrupta, causada por lesões na região da hipófise, ou de forma lenta como ocorre no processo de envelhecimento. A esta deficiência gradual e progressiva que se acentua principalmente após
os 60 anos damos o nome de Somatopausa.
Quais são as manifestações clínicas da deficiência
de GH em adultos?
Os sinais e sintomas mais freqüentes estão relacionados à redução da massa muscular, perda da sensação de bem-estar e piora do vigor mental. Os pacientes podem, portanto, apresentar perda da força muscular, aumento de gordura principalmente abdominal, tendência a osteoporose, pele fina, enrugada e seca, alterações de colesterol, diminuição da memória, falta de concentração e humor deprimido. Um estudo holandês, de 1995, mostrou que adultos com deficiência de GH geralmente se encontravam em escala profissional inferior e recebiam salários mais baixos quando comparados com indivíduos da mesma idade sem deficiência.
Como é confirmada a deficiência
de GH?
A partir de uma suspeita clínica, o diagnóstico deve ser confirmado com testes provocativos à secreção de GH, realizados em laboratório. Uma vez confirmada a deficiência deve se pesquisar a região da hipófise em busca de possíveis
causas.
Como é o tratamento?
É feito com a reposição do hormônio de crescimento, na forma de injeções diárias no subcutâneo com o uso de canetas aplicadoras e agulhas ultrafinas que tornam as aplicações praticamente indolores. As doses prescritas para adultos são normalmente menores que as utilizadas em crianças. Para se evitar possíveis riscos, é importante que a indicação, os ajustes das doses e as avaliações dos resultados sejam sempre acompanhados por um especialista com experiência no manejo desta medicação.
Que benefícios são esperados
com o tratamento?
Diversos estudos científicos, bem como a prática clínica, vem comprovando que a reposição do hormônio de crescimento melhora de forma significativa o quadro clínico e a qualidade de vida dos pacientes com deficiência de GH. Os resultados podem variar individualmente, mas de uma forma geral há uma melhora da composição corporal, da densidade óssea, do aspecto e espessura da pele, do perfil lipídico, da força muscular, do desempenho mental e da capacidade para o exercício.
Porque existe tanta propaganda sobre estimulantes de GH? Eles realmente funcionam?
Desde os anos 90, após a publicação de estudos comprovando os benefícios do GH para melhora do vigor físico e mental, uma série de produtos foram lançados no mercado aproveitando a falsa idéia de que havia sido descoberta a fonte da juventude. Com a pretensa propriedade de conter GH ou estimular a hipófise a produzi-lo, esses produtos geralmente são vendidos pela Internet como suplementos alimentares, sem necessidade de receita médica e a "vantagem" de não serem injetáveis. São, em sua maioria, compostos de aminoácidos que não possuem qualquer comprovação científica de sua eficácia ou benefício no tratamento da deficiência de GH em crianças ou adultos. O tratamento com o verdadeiro hormônio de crescimento tem sido abordado com muita seriedade em centros de pesquisa e clínicas especializadas no mundo inteiro e é importante alertar que seu uso adequado depende de criteriosa avaliação clínica
e hormonal de cada paciente individualmente.
O tratamento pode causar ou contribuir
para o crescimento de algum tipo de câncer?
Como o hormônio de crescimento tem a propriedade de estimular a síntese protéica e crescimento de alguns tecidos do organismo, uma preocupação inicial era que seu uso pudesse aumentar o risco de desenvolvimento de tumores benignos ou malignos. Entretanto, até o momento, todos os trabalhos científicos mostraram que a reposição com GH, nas doses recomendadas, não aumentou a incidência de câncer durante o tratamento. Por questões de segurança, o GH é contra-indicado
para pacientes com tumores malignos em atividade.
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