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Anvisa mantém comercialização da Sibutramina mas alerta médicos para novas contraindicações

Em 25 de janeiro de 2010, o FDA-Food and Drug Administration, órgão regulador de medicamentos dos Estados Unidos, anunciou que o medicamento sibutramina não deve ser prescrito para pacientes com história de doenças cardiovasculares tais como infarto, angina, arritmias, AVC, insuficiência cardíaca ou na presença de hipertensão descontrolada.

Esta medida se baseou nos dados iniciais do estudo SCOUT - Sibutramine Cardiovascular Outcomes Trial que envolveu mais de 10.000 pacientes obesos, acima de 55 anos com diabetes, história de cardiopatia ou outros fatores de risco cardiovascular por um período de seis anos. O objetivo era avaliar os efeitos da sibutramina neste perfil de pacientes. A ocorrência de eventos graves como infarto, AVC, parada cardíaca e morte no grupo de pacientes em uso de placebo (cápsulas sem medicamento) foi de 10% enquanto no grupo que usava sibutramina foi de 11,4%. Embora pareça uma diferença pequena, ela é considerada estatisticamente significativa. Esta diferença foi relevante apenas em pacientes com história de doenças cardiovasculares. Os resultados definitivos do estudo SCOUT serão publicados em março de 2010 quando o FDA irá reavaliar a necessiade de recomendações adicionais.

Diante destes mesmos dados, a Agencia Européia de Medicamentos (EMEA) interpretou que os "riscos da sibutramina não compensam seus benefícios" e divulgou nota recomendando a suspensão temporária da comercialização do medicamento na Europa.

Em 27 de janeiro de 2010, a ANVISA, órgão governamental de controle de medicamentos no Brasil, afirmou que não irá suspender a medicação e divulgou alerta aos médicos sobre as novas contraindicações: pacientes com história de cardiopatia e pacientes diabéticos tipo 2 com outros fatores de risco cardiovasculares.

A sibutramina é comercializada há 12 anos no Brasil e atualmente é o medicamento mais prescrito por especialistas como coadjuvante no tratamento do excesso de peso e obesidade.

Comentário do especialista
Dr. Geraldo Santana – Médico endocrinologista
Diretor do Instituto Mineiro de Endocrinologia

Diante das evidências apresentadas pelo estudo SCOUT, as recomendações do FDA são justificáveis e importantes para orientação dos profissionais, porém considero precipitada a decisão da EMEA em propor a suspensão da medicação na Europa. Os dados do estudo SCOUT são bem claros ao apontar um aumento do risco em um grupo específico, ou seja, apenas naqueles pacientes em uso de sibutramina e história de doenças cardiovasculares. Os pacientes estudados no SCOUT tinham um perfil selecionado especialmente para a finalidade do estudo cujos resultados devem ser interpretados para aquele grupo de pacientes. Portanto, não deveriam ser extrapolados para a população em geral ao ponto extremo de se propor a suspensão do medicamento.

O posicionamento da ANVISA me pareceu bem mais sensato do que a da Agência Européia mas não deixa de surpreender ao incluir o grupo de diabéticos, que nos resultados preliminares do estudo SCOUT não demosntraram maior incidência de adventos graves com o uso da sibutramina. A medida é compreensível considerando a polêmica envolvendo a medicação, mas é importante lembrar que uma das principais estratégias para o paciente diabético tipo 2 é o controle do peso, onde a sibutramina está entre as poucas alternativas de tratamento disponíveis.

Diversos estudos já demonstraram a segurança e os benefícios da sibutramina quando usada conforme as indicações, associada a mudanças de estilo de vida e sob acompanhamento médico. Além do grande número de estudos em diferentes perfis de pacientes, a medicação está disponível há mais de uma década e também tem se mostrado segura na prática clínica.

De acordo com estas novas diretrizes, pacientes em uso de sibutramina e com passado de doenças cardiovasculares (ex: infarto, arritmias, angina, derrame, insuficiência cardíaca ) ou com a pressão arterial fora de controle devem conversar com seus médicos para avaliarem as alternativas de tratamento. Mesmo em pacientes que não preencham os critérios das novas contraindicações, os médicos devem monitorar regularmente seus pacientes em uso de sibutramina e considerar a interrupção da medicação se houver alteração persistente de pressão arterial ou do ritmo cardíaco.

Veja também:
O que é a sibutramina?
Dr. Geraldo Santana em entrevista sobre benefícios e novas contraindicações da sibutramina
Alerta da Anvisa sobre as novas contraindicações da sibutramina (pdf)
Nota da ABESO - Associação Brasileira de Estudos sobre Obesidade referente ao assunto
Soc. Bras. de Endocrinologia comenta suspensão da sibutramina na Europa
Declaração do FDA sobre estudo SCOUT (em inglês)
EMEA - Documento oficial recomendando suspensão do medicamento (pdf em inglês)
EMEA - perguntas e respostas sobre sibutramina (pdf em inglês)
The SCOUT study: risk-benefit profile of sibutramine in overweight high-risk cardiovascular patients

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