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Anvisa suspende medicamentos anorexígenos

Em 04/10/11 a Anvisa decidiu suspender a venda de três medicamentos anorexígenos usados no tratamento da obesidade: anfepramona, femproporex e mazindol. A decisão desconsiderou a opinião dos médicos especialistas, entidades científicas e do Conselho Federal de Medicina. Manteve a venda da sibutramina – outra medicação usada no tratamento da obesidade - mas criou severas limitações à sua venda, como redução da duração do tratamento por receita de 60 para 30 dias, especificação da necessidade de doenças associadas para o tratamento e a criação de um termo de responsabilidade que deverá ser assinado pelo médico e pelo paciente com informações sobre o uso e potenciais riscos da medicação.

Comentário do especialista
Dr. Geraldo Santana – Endocrinologista
Diretor do Instituto Mineiro de Endocrinologia

A decisão da Anvisa, ignorando os argumentos da comunidade médica e as necessidades dos consumidores, restringe as opções terapêuticas para o tratamento da obesidade em um expressivo número de pacientes que necesssita de apoio farmacológico no controle do excesso de peso.

Os anorexígenos em questão - anfepramona, femproporex e mazindol - estão no mercado há dezenas de anos e não houve nenhum estudo ou fato novo que justifique esta suspensão. A prática clínica tem demonstrado a eficácia e segurança dos anorexígenos quando prescritos de forma adequada e com supervisão médica. E este longo prazo de experiência com a medicação passa a ser mais importante ao vermos que nos últimos anos alguns medicamentos "mais modernos" aprovados pelas agências reguladoras foram retirados abruptamente do mercado devido a efeitos colaterais graves que apareceram com o passar do tempo.

A sibutramina, disponível no mercado há quase 15 anos, também tem sido amplamente utilizada com perfil semelhante de resultados e boa tolerância pelos pacientes. A nova exigência de que o paciente possua doenças associadas e complicações para sua prescrição, implica em, muitas vezes, esperar o aparecimento de comorbidades para somente então começar a tratar a obesidade. Isto ignora completamente a premissa de atuar preventivamente a fim de se evitar o agravamento da doença e, consequentemente, suas complicações.

Se avaliarmos apenas a média estatística de emagrecimento nos estudos científicos, de fato os anorexígenos podem parecer pouco eficazes, sobretudo sob a ótica de profissionais sanitaristas. Entretanto, quando analisamos pacientes individualmente, como acontece no encontro do médico com o paciente no consultório, vemos que, enquanto para uns os remédios não fazem qualquer efeito, para muitos pacientes há um grande benefício com repercussões positivas não apenas para a saúde como para a auto-estima da pessoa.

Muitos pacientes, por mais motivados que estejam, não conseguem emagrecer apenas com dieta e exercícios físicos e necessitam de medicamentos para adequado tratamento do excesso de peso. Infelizmente, a atitude da Anvisa desconsidera este princípio tão importante do tratamento da obesidade e cria uma real dificuldade aos pacientes obesos ao impedi-los de ter acesso às principais opções para um tratamento medicamentoso de apoio.

A suspensão destes medicamentos poderá propiciar o aparecimento de terapias alternativas ineficazes, lançamento de emagrecedores ditos “naturais” de procedência e composição desconhecidas além da possibilidade de um "mercado negro" de anorexígenos. Pode ainda levar a um maior número de indicações desnecessárias de cirurgia bariátricas. Outra consequência possível é o aumento da incidência de doenças e complicações da obesidade.

Finalmente, é importante ressaltar que o tratamento bem conduzido da obesidade não se baseia apenas em medicamentos. Caso esta suspensão seja mantida, caberá aos médicos especialistas intensificar os recursos terapêuticos já existentes como estratégias nutricionais e metabólicas, mudanças cognitivo-comportamentais além do uso de outros medicamentos e procedimentos que proporcionem a redução do apetite, melhora da saciedade e aumento do gasto energético.

 

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