Dieta restrita em carboidratos
Dr. Geraldo Santana
Médico endocrinologista
A
Dieta Restrita em Carboidratos
é um método nutricional que, ao reduzir drasticamente o consumo de
carboidratos, promove uma grande redução na secreção de insulina pelo
pâncreas, forçando o organismo a utilizar diretamente a gordura como
fonte de energia. Este processo, conhecido como cetose benigna, facilita
o consumo dos estoques de gordura, permitindo uma perda de peso mais
rápida que os métodos tradicionais de tratamento. Devido à supressão da
produção da insulina, alimentos compostos de proteínas e gorduras podem
ser consumidos livremente, sem comprometer a perda de peso.
Idealizada há mais de quarenta anos pelo cardiologista americano Dr. Robert
Atkins e com grande número de seguidores em todo o mundo, esta dieta
foi, durante muito tempo, criticada devido ao receio de que o maior
conteúdo de alimentos gordurosos pudesse provocar aumento de colesterol
e doenças cardiovasculares a longo prazo. Entretanto, apenas
recentemente, foram publicados
estudos de maior duração e número expressivo de pacientes,
mostrando a eficácia e segurança desta dieta, tornando-se, portanto, uma
alternativa de tratamento para pacientes obesos refratários às dietas
tradicionais e sem contra-indicações ao método.
Em 2007, um estudo americano com duração de doze meses, envolvendo mais de
311 pacientes, comparou quatro diferentes tipos de dietas e a dieta
restrita em carboidratos foi a que mostrou maior perda de peso e
melhores efeitos metabólicos. Outro importante estudo, realizado em
Israel no ano de 2008, acompanhou 322 pacientes por dois anos, divididos
em dieta Mediterrânea, hipocalórica com redução de gorduras e dieta
restrita em carboidratos. Ao final do estudo, novamente a dieta restrita
em carboidratos, foi a que apresentou maior perda de peso, sem
prejudicar os níveis de glicemia e colesterol.
Embora
permita consumo livre de muitos alimentos como carnes, ovos, queijos e
verduras, ela possui um forte componente restritivo em relação aos
carboidratos. De acordo com os resultados, esta restrição vai diminuindo
gradativamente, mas a proposta é que continue, mesmo na fase de
manutenção, com um baixo consumo de carboidratos, sobretudo açúcar e
farináceos.
Diante das amplas evidências de seus possíveis benefícios, deve-se
lembrar que a indicação da Dieta Restrita em Carboidratos, tem que
obedecer a critérios
clínicos e laboratoriais, além de necessitar de acompanhamento médico,
com o objetivo de se prevenir carências nutricionais e eventuais
complicações. Um importante fator de sucesso está na seleção adequada do
paciente e na sua constante supervisão.
Como se pode ver não se trata de uma "fórmula mágica". Também precisa de
dedicação a longo prazo e, em alguns pacientes, até mais compromisso do
que nas dietas tradicionais, baseadas em controle de calorias. Por outro
lado, amplia com segurança as opções de tratamento em pacientes com
excesso de peso, resistentes ao tratamento convencional. |