Fonte: Jornal Estado de Minas - Domingo, 18 de abril
de 2010
Caderno BEM VIVER
De olho no metabolismo
Exames como calorimetria e bioimpedância permitem que as pessoas possam
avaliar com precisão a taxa de gordura e o funcionamento do organismo
Vanessa Jacinto
Quando
iniciou uma dieta para perder 10 quilos, a atriz Luciana Lopes, de 26
anos, já estava desconfiada de que, além da falta de controle alimentar,
o metabolismo mais lento também podia estar facilitando seu ganho
indesejável de peso. Não deu outra! Com a calorimetria indireta, um
exame que mede a taxa metabólica do corpo em repouso, ficou comprovado
que ela realmente precisava de pouca comida para sobreviver – cerca de
1.100 calorias.
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CRISTINA HORTA/EM/D.A PRESS |
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O endocrinologista Geraldo Santana explica que é importante
entender como funciona o processo metabólico dos pacientes para
definir melhor o tratamento |
Com esse resultado em mãos, seu médico ajustou a dieta e Luciana adotou
outras medidas, como a prática de atividade física para ajudar o
metabolismo a andar um pouco mais acelerado. “O exame foi importante
justamente porque ajudou a clarear todo o tratamento, tornando o
processo mais fácil e objetivo”, conta ela, feliz por já ter perdido
sete dos 10 quilos que queria eliminar.
De fato, exames como a calorimetria e a bioimpedância, que avaliam o metabolismo e a composição corporal do indivíduo acabaram se tornando extremamente úteis nos programas de controle de peso.
Segundo o endocrinologista Geraldo Santana, do Instituto
Mineiro de Endocrinologia, eles funcionam como um orientador do
planejamento para emagrecer, já que ajudam a entender melhor como o
organismo do paciente se comporta.
“Entender como o corpo do paciente gasta energia é fundamental para
propor dietas, mudanças de hábito de vida e até de medicamentos”, avisa
o médico. De acordo com o especialista, a taxa metabólica de repouso –
também chamada de metabolismo de repouso –
representa em torno de 70% do gasto energético total de um indivíduo e
se refere às calorias gastas pelo corpo para a manutenção das funções
básicas no repouso, como os batimentos cardíacos, respiração, controle
da temperatura corporal etc. O restante do gasto energético provém das
calorias gastas na digestão dos alimentos (aproximadamente 10%) e com a
atividade física diária (percentual variável).
Comparação
Dados sobre a taxa metabólica em repouso, obtidos no exame de
calorimetria, portanto, podem ser comparados com a taxa metabólica que
seria esperada para uma pessoa de mesma idade, sexo, peso e altura. Uma
variação de até 10% para mais ou para menos é considerada normal. Assim,
pessoas com metabolismo lento – abaixo da variação esperada – têm mais
facilidade de ganhar peso, já que necessitam de menor quantidade de
alimentos para suas funções orgânicas. “Nesses casos, várias estratégias
de tratamento, como o tipo de dieta, uso de suplementos e algumas
mudanças de estilo de vida, podem ser usadas para promover aumento do
metabolismo de repouso e, consequentemente, melhora dos resultados num
processo de perda de peso.
Por outro lado, em pessoas com metabolismo normal ou aumentado, o
tratamento do excesso de peso será direcionado para a quantidade de
calorias ingeridas e, em alguns casos, no controle do apetite ou
compulsão”, explica.
Suporte para a perda de peso
Bioimpedância
O que é?
Trata-se do exame mais usado para a avaliação de composição corporal,
justamente pelo fato de ter precisão com custo relativamente baixo. Foi
considerado, pelo último Consenso Latino-americano de Obesidade, um
método apurado para a avaliação da composição corporal. Nesse exame, é
possível avaliar percentuais de gordura e massa magra do corpo, além da
hidratação, permitindo calcular a faixa ideal de peso para o indivíduo
de acordo com o sexo e a idade. A bioimpedância é útil para informar o
percentual de gordura em sua totalidade, ou seja, mede tanto a gordura
que está debaixo da pele como a gordura que está entre os órgãos.
Como é feito o exame?
É relativamente simples. Uma pequena corrente elétrica passa pelo corpo
do paciente por meio de dois pares de eletrodos adesivos colocados na
mão e no pé direito. O método é totalmente indolor, mas não é indicado
para gestantes e portadores de marcapasso. Quanto maior é o percentual
de gordura, maior é a dificuldade para a corrente elétrica atravessar o
corpo.
Calorimetria indireta
O que é?
Exame para medir a taxa metabólica de repouso. O organismo consome uma
quantidade fixa de oxigênio para cada caloria oxidada. Pela diferença
entre a quantidade de oxigênio no ar inspirado e expirado, o aparelho
calcula com precisão quantas calorias o corpo está “queimando” naquele
momento. Cada pessoa tem a própria taxa metabólica de repouso. Duas
pessoas com mesma idade, sexo, peso e altura provavelmente terão
metabolismos energéticos diferentes.
Como é feito o exame?
É realizado em consultório e dura, aproximadamente, 20 minutos. É
totalmente indolor. Para ser feito, é necessário que o paciente esteja
em repouso, em ambiente calmo e completamente relaxado. Consumo de
alimentos, atividade física intensa, situações estressantes e uso de
estimulantes (cafeína, por exemplo) podem elevar o metabolismo e devem
ser evitados nas horas que antecedem o exame. Durante o procedimento,
depois da colocação de um clipe nasal para impedir que o ar expirado
saia pelas narinas, o paciente é orientado a respirar por um bocal que
leva o ar diretamente ao aparelho para que a quantidade de oxigênio
eliminada seja medida. Este processo dura de 10 a 15 minutos. Os dados
fornecidos são então inseridos em um programa de computador que irá
fornecer a taxa metabólica de repouso do paciente em kcal/dia.
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