::Diabetes

Contagem de Carboidratos
Estratégia nutricional melhora qualidade de vida dos diabéticos

Nos últimos anos, o tratamento nutricional dos diabéticos ganhou um grande impulso com a técnica de Contagem de Carboidratos que passou a ser recomendada por importantes órgãos oficiais como a American Diabetes Association e a Sociedade Brasileira de Diabetes. "Entre as principais dificuldades dos pacientes diabéticos em relação à dieta estão a restrição de alimentos e a obrigatoriedade de refeições em horários determinados", afirma Caroline Fernandes, nutricionista e coordenadora do Setor de Nutrição do Instituto Mineiro de Endocrinologia. "Com a Contagem de Carboidratos, o paciente passa ter uma variedade muito maior de alimentos, mais liberdade nos horários das refeições além de uma melhora do controle glicêmico e da qualidade de vida. Desde que contabilizados, até os alimentos com açúcar podem ser utilizados sem riscos para o paciente", ressalta Caroline. A contagem vem sendo aplicada com sucesso em todos os tipos de diabetes, inclusive diabetes gestacional, e os benefícios são mais marcantes naqueles que fazem uso de insulina.Conheça mais detalhes sobre esta técnica.

O que é a contagem de carboidratos?
Caroline: É uma das estratégias usadas na terapia nutricional do diabetes, que contabiliza os gramas de carboidratos consumidos nas refeições proporcionando maior flexibilidade de horários e melhora da estabilidade da glicemia. Em diabéticos em uso de insulina, permite estimar a quantidade de insulina necessária para aquela refeição baseada na relação insulina/carboidrato de cada indivíduo.

Como é possível saber a quantidade de gramas de carboidratos de um alimento?
Caroline: Com o uso de tabelas fornecidas na consulta com o nutricionista ou pela leitura dos rótulos dos alimentos. Hoje em dia, utilizamos softwares que geram listas não só a quantidade de carboidratos dos alimentos mas também o cálculo da quantidade de insulina a ser aplicada de acordo a relação insulina/carboidrato daquela pessoa para cada alimento. Em refeições mistas, basta somar as unidades de insulina propostas para cada alimento e aplicar. Para exemplificar: 1 pão francês de 50g contém 28 g de carboidratos + 1 copo de leite com achocolatado contém 32 g de carboidratos = 60g de carboidratos. Se a relação insulina/carboidrato desta pessoa fosse 1U/15g ele deveria aplicar 4 unidades para essa refeição.

Normalmente, qual é a relação relação insulina/carboidrato?
Caroline: Ela varia de pessoa para pessoa, geralmente é definida pelo médico e ajustada de acordo com a monitorização glicêmica. Como regra geral, a relação insulina/carboidrato de adultos é de 1 unidade de insulina para cada 15g de carboidratos, portanto 1UI / 15g. Já em crianças esta relação fica em torno de 1UI / 20 a 30g CHO. Estes resultados podem variar muito dependendo do peso corporal, resistência a insulina, atividade física, uso de medicamentos e até mesmo do horário do dia.

Todos os diabéticos devem aprender a contagem de carboidratos?
Caroline: Nem todos, há pacientes que se adaptam melhor às dietas tradicionais. A contagem de carboidratos necessita de alguns pré-requisitos como, por exemplo, saber ler e escrever, ter noções de medidas caseiras, ter disciplina e principalmente condições de realizar a monitorização glicêmica domiciliar. Por isso, a adesão à terapia nutricional depende em grande parte da correta seleção dos pacientes.

Por que só nos últimos anos a contagem de carboidratos vem sendo mais utilizada?
Caroline: Como a contagem de carboidratos está relacionada a um controle mais intensivo da glicemia, esta técnica ganhou mais impulso após os grandes estudos multicêntricos que comprovaram os benefícios do controle da glicemia na prevenção das complicações crônicas. Em 1994, A American Diabetes Association destacou que a quantidade de carboidrato deve ser individualizada e que o foco da terapia nutricional deve ser a quantidade total e não o tipo de carboidrato.Em 2001, a Sociedade Brasileira de Diabetes lançou o Manual de Contagem de Carboidratos propondo as estratégias para sua aplicação e critérios de seleção dos pacientes. Além disso, o lançamento no mercado de canetas aplicadoras de insulina, insulinas de ação ultra-rápida e mais recentemente da insulina glargina melhoraram sensivelmente as condições para a utilização deste método.




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