Constipação intestinal em crianças
Juliana
Chaves - Nutricionista infantil
Setor de Nutrição do Instituto Mineiro de Endocrinologia
A constipação intestinal infantil é um problema
comum e geralmente é causa de sofrimento para as crianças
e preocupação para os pais. Chamamos de constipação
intestinal, ou "prisão de ventre", a dificuldade
de evacuar, devido ao endurecimento ou acúmulo das fezes,
levando à dor e maior esforço ao defecar. Entre os
sintomas estão a dor abdominal, alterações
do apetite, náuseas e até vômitos. Eventualmente,
podem ocorrer escapes involuntários de fezes causando constrangimento
e mal estar à criança.
A causa mais frequente de constipação na infância
está relacionada aos hábitos alimentares. A constipação
de origem nutricional é normalmente causada por uma quantidade
insuficiente de líquidos e fibras na dieta, fazendo com que
as fezes fiquem endurecidas e com as extremidades ásperas,
podendo causar dor, fissuras anais e hemorróidas. Nestes casos,
algumas crianças prendem as fezes com medo da dor ao evacuar,
gerando um ciclo vicioso que só piora o quadro. Outras causas
comuns da constipação são estresse emocional,
introdução de novos alimentos, falta de exercício
físico e algumas doenças orgânicas como hipotireoidismo,
parasitoses e doenças intestinais.
Há uma tendência histórica de ingestão
reduzida de fibras nas dietas infantis. O consumo de frutas e vegetais
está frequentemente abaixo das recomendações
na maioria das crianças. A dieta rica em fibras é eficaz
no tratamento da constipação, porque aumenta o volume
fecal, produz fezes mais amolecidas, evacuações mais
frequentes e ainda aceleraram o trânsito intestinal.
Desta
forma, o papel do nutricionista infantil consiste em avaliar detalhadamente
os hábitos e a alimentação da
criança e elaborar uma orientação alimentar
com as seguintes diretrizes:
- aumento da quantidade de fibras,
seja na forma de alimentos ou suplementos,
- estímulo a uma hidratação
mais eficiente,
- identificação e substituição
de possiveis alimentos constipantes,
- normalização da flora
bacteriana intestinal.
Além disso, são fundamentais as mudanças comportamentais
e de hábitos de vida que facilitem o funcionamento intestinal,
como a prática de atividade física, atenuação
de possíveis fatores estressantes e reeducação
do hábito regular e sistemático de evacuar.
O uso
de medicamentos laxantes deve ser reservado para casos especiais
e sempre orientado pelo pediatra. Alguns laxantes irritam a parede
do intestino, podem causar dependência e seu uso constante é desaconselhado.
Mesmo quando são prescritos, medidas nutricionais de apoio
devem estar associadas para melhora da eficácia.
É importante lembrar que
a constipação crônica
na infância, mesmo quando não está relacionada
a uma doença orgânica, deve ser considerada com seriedade
pois pode levar a uma diminuição do tônus muscular
nos intestinos, dando início a um problema que pode se estender
por toda a vida. Quanto mais precoce a orientação,
melhores tendem a ser os resultados e maiores são os beneficios
para a criança.
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