A
obesidade é uma doença
crônica de alta incidência, contribui para o aparecimento de outras
doenças além de afetar a auto-estima com importantes repercussões
psicossociais. As mudanças de estilo de
vida - reeducação alimentar e aumento da atividade física - nem
sempre são suficientes para um resultado satisfatório e o acréscimo
do tratamento medicamentoso frequentemente precisa ser indicado.
Apesar de já contarmos com
medicamentos tradicionais - sacietógenos,
moderadores de apetites e inibidor da absorção de gordura - uma
grande linha de pesquisas no mundo inteiro busca novas perspectivas
de tratamento medicamentoso da obesidade. Recentemente, neste campo
tiveram destaque os resultados obtidos com a associação de dois
medicamentos já disponíveis há alguns anos: a
bupropiona, um antidepressivo também usado no tratamento do
tabagismo, e a naltrexona, uma medicação
usualmente prescrita para tratamento do alcoolismo.
Um importante estudo
realizado nos Estados Unidos, publicado em dezembro de 2009,
envolvendo mais de 400 pacientes por um período de 48 semanas
mostrou que a associação
bupropiona
e naltrexona proporcionou
significativa perda de peso quando comparada ao placebo ou ao uso de
cada medicação isoladamente. Além disso, a perda de peso foi
sustentada ao longo do período sem tendência à recuperação ou ao
efeito platô. Os efeitos colaterais mais observados foram náuseas,
tonturas e alterações do sono, porém de intensidade leve a moderada
e de duração transitória na maioria dos casos. Houve melhora dos
parâmetros metabólicos – colesterol, triglicérides, pressão arterial
– quando comparada ao placebo provavelmente devido à maior redução
da gordura abdominal nos pacientes tratados.
Estudos com a
bupropiona já haviam demonstrado seus
benefícios na perda de peso mas os
resultados não eram duradouros, provavelmente devido ao fato de a
bupropiona, também estimular a produção
de uma endorfina que após alguns meses
bloqueava sua ação inibitória sobre o apetite. A
naltrexona isoladamente não promove
redução de peso, mas quando associada à
bupropiona, bloqueia a produção daquela
endorfina permitindo um efeito mais potente e sustentado da
bupropiona.
Esta associação mostrou ter
um efeito chamado sinérgico,
ou seja, maior do que a soma dos efeitos observados de cada
medicação na perda de peso. A associação parece ainda atuar nos
mecanismos cerebrais de prazer e recompensa que atualmente sabemos
estar cada vez mais implicados no comportamento alimentar.
Embora estudos de mais longo prazo possam trazer informações adicionais sobre os benefícios desta associação, estes resultados representam uma nova perspectiva na abordagem medicamentosa da obesidade, sobretudo em pacientes pouco responsivos à terapêutica usual.
Ref:
Comparison of
combined bupropion
and naltrexone
therapy for obesity
with monotherapy
and placebo - J
Clin Endocrinol
Metab. December
2009, 94(12):4898–4906.