::Nutrição


Boatos sobre o aspartame

Caroline Fernandes
Nutricionista clínica e esportiva
Coord. do Setor de Nutrição do Instituto Mineiro de Endocrinologia

De tempos em tempos, algumas correntes são passadas via e-mail alertando para a possibilidade de o aspartame causar doenças como câncer, demência, lúpus, esclerose múltipla e doença de Parkinson. Entretanto, vários estudos e posicionamentos oficiais confirmam a segurança do uso do aspartame, inclusive para gestantes e crianças. Entidades como a American Diabetes Association e a Sociedade Brasileira de Diabetes já se manifestaram oficialmente de maneira favorável ao uso do aspartame.

O aspartame é um adoçante muito utilizado em várias partes do mundo inteiro. Ele praticamente não tem calorias, adoça cerca de 400 vezes mais que o açúcar e geralmente não deixa sabor residual como a sacarina e ciclamato. Seu único inconveniente é que, quando aquecido em altas temperaturas, seu poder adoçante fica reduzido.

Todo adoçante possui um limite recomendável de consumo seguro. A IDA (Ingestão Diária Aceitável) do aspartame recomendada no Brasil é de até 40mg/kg de peso corporal. Para uma pessoa de 60 kg, por exemplo, o consumo máximo recomendável seria de 600 gotas/dia de aspartame líquido ou 60 envelopes/dia de aspartame em pó ou, em no correspondente a 10 litros/dia de coca-cola light.

Em um estudo recente do National Cancer Institute que acompanhou 500.000 homens e mulheres por 5 anos, os pesquisadores concluíram que não há um aumento da incidência de câncer nas pessoas que fazem uso do aspartame. O FDA - Food and Drug Administration, órgão norte-americano equivalente à Anvisa do Brasil, também defende que o aspartame é um adoçante seguro. “Baseado na grande quantidade de evidências que revisamos - inclusive de vários estudos sobre carcinogênese que não mostraram nenhum efeito inadequado no metabolismo do aspartame - não temos razão para crer que o aspartame cause câncer", explica o comunicado oficial.

Além do FDA, o JECFA - Joint Expert Committee on Food Additive (órgão da Organização Mundial de Saúde) e o Scientific Committee on Food of the European Union também revisaram os estudos sobre o aspartame e concluíram que seu uso não traz riscos à saúde. O aspartame só deve ser evitado por pessoas portadoras de fenilcetonúria, uma doença congênita rara em que a pessoa não consegue metabolizar a fenilalanina, um aminoácido presente não só no aspartame como em diversos outros alimentos.

Até o momento, portanto, o aspartame é considerado seguro por todos os órgãos fiscalizadores na área de alimentação e pode ser consumido sem preocupação.


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